Press Release
Descarbonizar para competir: destravando investimentos e fortalecendo indústrias de cimento e aço de baixo carbono no Brasil
Published: 10 Feb 2026
Novo relatório identifica oportunidades e mecanismos para mobilizar capital
Principais destaques
- Novo relatório da Climate Bonds, financiado pelo programa UK PACT, identifica cimento e aço como setores estratégicos para a descarbonização industrial do país e sua competitividade de longo prazo.
- A matriz energética renovável do Brasil, o uso de biomassa e o avanço de políticas públicas posicionam o país para liderar a transição em indústrias de difícil abatimento.
- Eletrificação, captura e armazenamento de carbono e hidrogênio de baixo carbono, combinados a medidas de eficiência no curto prazo, são fundamentais para reduzir emissões em escala.
- O relatório destaca oportunidades de financiamento, instrumentos de política pública e mecanismos de mercado necessários para mobilizar capital e destravar investimentos.
São Paulo, 10 de fevereiro de 2026, 9h — A Climate Bonds Initiative lançou um novo relatório, Descarbonizar para Competir: Rumo a uma Indústria de Cimento e Aço de Baixo Carbono no Brasil, financiado pelo programa UK PACT, que analisa os caminhos tecnológicos, regulatórios e de investimento necessários para acelerar a descarbonização de dois dos setores mais intensivos em emissões e estrategicamente relevantes da economia brasileira. O relatório apresenta soluções locais para um desafio global.
Descarbonizar para competir
Como pilares fundamentais da construção civil e da economia nacional, cimento e aço representam, em conjunto, 18% das emissões de gases de efeito estufa do mundo. O relatório destaca que descarbonizar esses setores não é apenas um imperativo climático, mas também uma oportunidade estratégica para fortalecer a competitividade industrial, atrair financiamento sustentável e posicionar o Brasil como líder global na produção industrial de baixo carbono.
Com base em análises de mercado, revisão de políticas públicas e perspectivas de investimento, o estudo mostra como as vantagens comparativas do Brasil, incluindo uma matriz elétrica majoritariamente renovável e o uso histórico de biomassa na siderurgia, podem ser alavancadas para acelerar a transição. O relatório avalia tanto medidas de curto prazo e baixo custo, como ganhos de eficiência energética e substituição de combustíveis, quanto soluções estruturais de longo prazo, incluindo eletrificação, hidrogênio de baixo carbono e captura e armazenamento de carbono.
Leonardo Gava, Gerente do Programa Brasileiro da Climate Bonds no Brasil, afirmou:
“A descarbonização dos setores de cimento e aço representa uma oportunidade estratégica para o Brasil fortalecer sua competitividade em uma economia global em rápida transformação. O relatório evidencia políticas, desafios e oportunidades locais para uma transição viável e estratégica para o país. Com a combinação adequada de sinais regulatórios, padrões confiáveis e acesso a financiamento, o Brasil pode transformar a descarbonização industrial em um motor de inovação, investimento e liderança econômica de longo prazo.”
O relatório também examina o papel de instrumentos de finanças verdes, precificação de carbono, compras públicas e marcos regulatórios, destacando como mecanismos como títulos verdes, linhas de crédito sustentáveis e fundos climáticos podem mobilizar o volume de investimento necessário. Políticas internacionais, como o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia, são apontados como fatores que reforçam o racional econômico para uma ação antecipada.
À medida que o Brasil avança com iniciativas como a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), a Taxonomia Sustentável Brasileira e o sistema regulado de comércio de emissões (mercado de carbono), o relatório ressalta a importância de uma ação coordenada de políticas públicas e de padrões confiáveis para reduzir riscos de investimento e destravar capital privado.
Por fim, o estudo apresenta recomendações práticas para formuladores de políticas, investidores e representantes da indústria, estabelecendo um roteiro para apoiar uma transição industrial justa, competitiva e resiliente, alinhada aos compromissos climáticos do Brasil e às metas de neutralidade de emissões.
O relatório completo está disponível para download aqui.
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Contato para entrevistas e mais informações:
Letícia Braga
Especialista em Comunicação, Climate Bonds Initiative
leticia.braga@climatebonds.net
Notas para jornalistas:
Sobre a Climate Bonds Initiative: A Climate Bonds é a principal organização internacional não governamental dedicada a mobilizar capital global para a ação climática. Impulsionamos o crescimento do mercado de dívida verde e sustentável por meio de estruturas alinhadas à ciência, incluindo nossas taxonomias e padrões, nossa Certificação, dados e análises, além da oferta de assessoria técnica e de políticas públicas especializadas. Mais informações em nosso site.
Sobre o UK PACT: O UK PACT (Parcerias para Acelerar Transições Climáticas) é um programa de fortalecimento de capacidades do governo do Reino Unido, financiado conjuntamente pelo Foreign, Commonwealth & Development Office (FCDO) e pelo Department for Energy Security and Net Zero (DESNZ). O programa atua em parceria com países ao redor do mundo para aumentar a ambição climática e acelerar transições de baixo carbono, por meio da oferta de assistência técnica — frequentemente em colaboração com organizações do setor público do Reino Unido — fortalecendo instituições e gerando impactos inclusivos e duradouros. Essa atuação abrange os setores de políticas e governança climática, transição energética, finanças verdes, agricultura, florestas e uso da terra (AFOLU) e mobilidade.
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