Títulos Verdes e Mudança Climática: Edição Brasileira

Mercado de Títulos Verdes e Climáticos atinge $694 bilhões globalmente e $2,4 bilhões no Brasil.

A Climate Bonds Initiative, em parceria com a SITAWI, lançou no dia 2 de agosto, em São Paulo, o relatório ‘Análise de Mercado em 2016: Títulos de Dívida e Mudança Climática’ , durante o fórum ‘Potencial de Investimentos no Brasil pós COP 21’.

A edição brasileira, publicada em português e em inglês, analisa todos os títulos verdes e climáticos no mercado brasileiro entre 1º de janeiro de 2005 e 31 de maio de 2016.

O estudo aponta as opções de desenvolvimento para o mercado de capitais e de títulos verdes, além de identificar as oportunidades na transição para uma economia de baixo carbono e resiliente às mudanças climáticas.

Para mais informações, acesse os links abaixo:

Português
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>> Veja as principais conclusões e citações

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English
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Os principais destaques da edição brasileira são:

  • Em 31 de maio de 2016, o total de títulos climáticos no Brasil era de US$ 2,4 bilhões, dos quais 23% eram compostos por títulos verdes rotulados, ou seja, aqueles que são identificados e promovidos desta maneira pelos emissores.
  • 54% dos títulos climáticos estão ligados ao setor de transporte ferroviário, tais como transporte público, trens urbanos e metrô, sendo 46% destes referentes ao transporte ferroviário de carga. 
  • O setor de energia é o segundo maior emissor, com 23% das emissões, incluindo energia eólica e outras fontes renováveis. O maior emissor de títulos climáticos relacionados à energia foi a CPFL Renováveis.
  • O tema Multissetorial foi responsável pelos 23% restantes do volume de emissões, incluindo os US$ 549 milhões em títulos verdes rotulados da BRF, do setor de alimentos, que foi o primeiro título verde rotulado emitido por uma empresa brasileira no exterior. Os recursos captados estão sendo destinados a projetos de eco-eficiência operacional, como redução do consumo de água, energia e tratamento de resíduos.
  • Foram identificados os principais setores que podem alavancar o crescimento econômico do país e acelerar sua transição para uma economia de baixo carbono, ajudando o país a alcançar sua contribuição apresentada às Nações Unidas (INDC).
  • Existem grandes oportunidades para fomentar práticas sustentáveis nos setores de agronegócio, florestal e papel e celulose no Brasil. O setor de energia (excluindo grandes projetos hidroelétricos), incluindo fontes renováveis e eficiência energética, também possui o potencial para o financiamento de longo prazo via títulos verdes com foco em infraestrutura.
  • Com o objetivo de superar a baixa liquidez do segmento de títulos corporativos, foi destacada a importância dos reguladores do mercado de capitais e de fundos de pensão.
  • Os bancos de desenvolvimento, bancos comerciais, municípios e associações empresariais também possuem um papel importante para estimular o mercado.
  • O relatório também destacou a primeira emissão de títulos verdes da Suzano Papel e Celulose, de US$500 milhões, realizada em Julho/2016.

 

Justine Leigh-Bell, Diretora de Desenvolvimento de Mercado, Climate Bonds Initiative:

“O Brasil é um importante ator nas negociações sobre as mudanças climáticas globais. O lançamento do relatório em São Paulo reflete a importância do país na transição para economias de baixo carbono de acordo com os compromissos da COP21.”

“A edição brasileira identifica o enorme potencial dos títulos verdes como mecanismo de financiamento de baixo carbono nos setores de agronegócio, florestal, papel e celulose e energia renovável. Melhorias na infraestrutura urbana nos setores de transporte, eficiência energética e água também são potenciais áreas para o investimento de títulos verdes de longo prazo.”

“O maior desafio atual é criar condições que aceleram o fluxo de investimento verde, garantindo aos investidores um retorno de longo prazo estável. Um mercado local de títulos verdes robusto pode ajudar a atingir essas metas.”

 

Gustavo Pimentel, Diretor, SITAWI:  

“O governo brasileiro já anunciou o desejo de atrair capital privado para o desenvolvimento de infraestrutura, visando reduzir a atual dependência do BNDES e alavancando o mercado de capitais. Títulos verdes são uma excelente solução, pois liberam capital para investimento em novos ativos verdes. O Brasil está quase pronto para surfar esta onda, e nós da SITAWI estamos felizes em poder contribuir para a educação do mercado e assegurar os benefícios verdes e climáticos dos ativos financiados por green bonds.”

 

John Liu, Chief Investment Officer, Zurich Seguros:

“Como investidores de longo prazo, seguradoras podem desempenhar um papel relevante na  transição para uma economia de baixo carbono, mais sustentável. Na Zurich, vemos títulos verdes  como uma peça crítica neste cenário. O relatório “Títulos de Dívida e Mudança Climática” da CBI é  um ótimo recurso para todos aqueles que querem entender melhor a oportunidade representada  pelos títulos verdes, principalmente para investidores de renda fixa, tais como as seguradoras.”

 

Ricardo Rochman, chefe do Departamento de Economia, FGV:

“O mercado de capitais é uma importante fonte de financiamento para as empresas. De acordo com o relatório da Climate Bonds Initiative, o Brasil tem muitas possibilidades para endereçar os desafios de liquidez e reduzir as assimetrias fiscais, assim como desenvolver o mercado local de green bonds e a economia de baixo carbono. Neste contexto, a academia tem um relevante papel em prover soluções para endereçar esses desafios.”

 

Denise Hills, Superintendente de Sustentabilidade, Itaú Unibanco:

“O Brasil possui um papel importante nas negociações sobre as mudanças climáticas globais e significativas oportunidades em investimentos de baixo carbono.”

 

 

The report’s key Brazil findings include:

  • As of end May 31st 2016, the total climate-aligned bonds universe stood at USD 2.4bn of which 23% were ‘labelled’ green bonds. 
  • Transport bonds linked to rail (such as public transit, urban and metro, freight and related construction) made up the single largest component of outstanding bonds at 54%, with the rail freight component a dominant sub-section at 46%.
  • At 23%, energy made up the next largest sector, comprising a mix of wind and renewables (small scale hydro, solar and biomass). The largest mixed renewables issuer was CPFL Renováveis.
  • The remaining 23% comprised a multi-sector USD 549m labelled green bond issued by the food company BRF. Its proceeds went to water and electricity efficiency projects, lowering carbon emissions and waste.
  • The report identifies core sectors that are crucial to both Brazil’s economic growth and its transition to a low-carbon economy; helping it meet its national INDC goals.
  • Significant opportunities exist to lead in sustainable practices in agribusiness, forestry and paper industries for Brazil. Energy (excluding large scale hydro) including renewables and energy efficiency is a sector that is also well suited to long term green bond funding in support of new infrastructure.
  • Policy and regulatory steps involving capital markets and pension fund regulators are identified to overcome the relative immaturity of the domestic market and dominance of sovereign issuance.
  • Developments banks are also well suited to take steps to stimulate market development; as are commercial banks, municipal authorities and leading financial and industry institutions.  
  • The report also noted the $500m debut green bond from Suzano Papel e Celulose issued after the May 2016 analysis cut-off.

 

Justine Leigh-Bell, Director Market Development, Climate Bonds Initiative:

“Brazil has been a leading player in global climate change negotiations and the Sao Paulo launch of our State of the Market Report reflects the importance of Brazil in developing low carbon economic development and green growth following the COP21 Agreement.

“The Brazil Edition of the report identifies enormous potential for green bonds to fund low carbon development in domestic agribusiness, forestry, paper and renewable energy. Urban infrastructure upgrades in transport, energy efficiency and water are other areas suitable for long term green bond investment. “

“The challenge now is for policy makers and local market actors to create the conditions that accelerate the flow of green investment, while providing institutional investors with stable, long term returns.  A robust domestic green bond market can help achieve these goals.”

 

Gustavo Pimentel, Managing Director, SITAWI:  

‘’The Brazilian Government has already announced the desire to attract private capital to infrastructure development, reducing dependency from BNDES and leveraging capital markets. Green Bonds are a superb solution, as they free up capital in green assets to be invested in new asset development. Brazil is ready to make it happen and we are delighted at SITAWI to contribute to market education and assuring the green credentials of assets being financed by green bonds.”

 

John Liu, Chief Investment Officer, Zurich Seguros:

"As long-term investors insurance companies can play a key role in the transition to a more sustainable, low carbon economy. At Zurich, we see green bonds as a critical piece in this puzzle. CBI's "Bonds and Climate Change" report is a great resource for all those who want to better understand the opportunity that green bonds represent, particularly for fixed income investors such as insurance companies." 

 

Ricardo Rochman, Head of Economic Department, FGV:

“The capital markets are an important source of finance for companies. As this Climate Bonds Initiative report demonstrates, Brazil has options to help address liquidity, reduce tax asymmetries and develop its domestic green bond markets and low carbon economy. Within this context, the Academy has an important role in providing solutions to address these challenges.”

 

Denise Hills, Head of Sustainability, Itau Unibanco:

“Brazil has an important role in international negotiations on climate change and has significant business opportunities in low-carbon investments.”