Press Release
Mercado de dívida sustentável do Brasil mantém forte crescimento e ganha impulso rumo à COP30
Published: 07 Nov 2025
Dívida cumulativa rotulada VSS+ atinge USD 67,8 bilhões
Principais destaques
- Ao final do primeiro semestre de 2025, a dívida cumulativa VSS+ do Brasil atingiu USD 67,8 bilhões, sendo USD 49,3 bilhões (73%) alinhados a metodologia da Climate Bonds Initiative. O país é o maior emissor de títulos verdes da região, com USD 30 bilhões.
- O alinhamento das novas emissões VSS+ aumentou para 93% no primeiro semestre de 2025, frente a 88% no mesmo período de 2024, demonstrando foco crescente dos emissores em investimentos com base científica e credível.
- Com 152 emissores, forte participação corporativa (82% do volume alinhado) e preferência por moeda local (51%), o Brasil combina escala e profundidade, consolidando-se como o principal impulsionador das finanças sustentáveis na região antes da COP30.
São Paulo, 7 de novembro de 2025, 8AM – O mercado de dívida sustentável do Brasil manteve sua trajetória de expansão no primeiro semestre de 2025, segundo o novo relatório Estado do Mercado de Dívida Sustentável no Brasil - 1º semestre 2025, publicado pela Climate Bonds Initiative (Climate Bonds) em parceria com a ERM/NINT e com apoio do LAGreen Fund. O estudo destaca o papel crescente do Brasil como polo de finanças sustentáveis na América Latina, enquanto o país se prepara para sediar a COP30.
Até junho de 2025, a Climate Bonds registrou um volume cumulativo de USD 67,8 bilhões em títulos rotulados VSS+ (verdes, sociais, de sustentabilidade e vinculados à sustentabilidade) emitidos no Brasil, dos quais USD 49,3 bilhões (73%) estão alinhados à metodologia de triagem da Climate Bonds. Embora a taxa geral de alinhamento do país ainda esteja menor que a de seus vizinhos como Chile (96%) e México (76%), o avanço foi expressivo: 93% das novas emissões VSS+ no primeiro semestre de 2025 atenderam aos critérios de alinhamento, versus 88% em H1 2024.
Brasil em comparação com a América Latina e Caribe
O Brasil é o mercado VSS+ mais dinâmico da América Latina e Caribe (LAC), consolidado entre os três maiores em volume cumulativo, com USD 49,3 bilhões (19% do total regional) e 152 emissores, contra 39 no México e 28 no Chile. Diferentemente de Chile e México, onde as emissões soberanas predominam, o mercado brasileiro é mais amplo e diversificado, apresentando o maior número de transações na região, forte presença corporativa e clara preferência por moeda local (51%).
Com a presença de emissores soberanos e de grandes corporações regionais, o Brasil combina escala e profundidade, consolidando-se como um dos principais motores das finanças sustentáveis regionais.
Títulos verdes seguem na liderança
Os títulos rotulados como verdes permanecem o principal segmento do mercado cumulativo VSS+ brasileiro, representando 61% (USD 30 bilhões) do volume total. Isso coloca o Brasil à frente como maior fonte de títulos verdes da LAC, superando Chile (USD 15,6 bilhões) e México (USD 6,5 bilhões).
“O mercado de finanças sustentáveis do Brasil demonstra resiliência e profundidade”, afirmou Leonardo Gava, Gerente do Programa Brasileiro da Climate Bonds Initiative. “O forte pipeline de emissões verdes e de transição, somado à evolução da taxonomia e dos marcos regulatórios, posiciona o país como um exemplo de como o financiamento pode apoiar metas climáticas e positivas para a natureza, à medida que avançamos rumo à COP30.”
“O mercado de dívida rotulada brasileiro continua se destacando como referência regional, refletindo o forte interesse dos investidores em instrumentos sustentáveis e no avanço da agenda ESG. A emissão de títulos soberanos sustentáveis foi um marco importante, ampliando e diversificando o mercado com participação ativa de empresas, bancos, investidores e instituições de desenvolvimento. Com a COP30 acontecendo no Brasil, no coração da Amazônia, o país tem o potencial de escalar investimentos em setores críticos para o desenvolvimento sustentável, com foco especial em bioeconomia e financiamento de adaptação e resiliência climática”, disse Tatiana Assali, diretora da ERM.
“O mercado de dívida sustentável do Brasil entra em uma nova fase de maturidade e relevância global”, afirmou Myriel Frische, gerente de portfólio do LAGreen Fund. “Títulos críveis e de alto impacto têm atraído um número crescente de investidores, reforçando a importância da transparência e da divulgação de relatórios robustos. Por meio do apoio a emissores e da promoção de padrões de qualidade, o LAGreen contribui para fortalecer as bases do mercado de finanças sustentáveis do Brasil antes da COP30.”
O relatório destaca o aumento da atividade de emissores soberanos e bancos de desenvolvimento, ambos com papel essencial em ampliar a liquidez do mercado e estabelecer referências para emissores privados. Setores como energia renovável, agricultura de baixo carbono e infraestrutura hídrica continuam entre os principais destinos de investimentos verdes, alinhados às prioridades de mitigação e adaptação climática do Brasil.
A publicação também reforça a necessidade de ampliar o financiamento voltado à adaptação e resiliência, especialmente para soluções baseadas na natureza e uso da terra, a fim de alcançar as metas climáticas nacionais e contribuir para os compromissos globais do Acordo de Paris.
O relatório foi lançado hoje em um evento sediado pela Stocche Forbes, em São Paulo, com a apresentação dos principais resultados, seguida de um painel de discussão e workshop sobre finanças sustentáveis. O encontro reuniu cerca de 40 lideranças dos setores público, financeiro e industrial.
Baixe o relatório completo aqui!
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Contato para imprensa
Leticia Braga
Especialista de Comunicação, Climate Bonds Initiative
leticia.braga@climatebonds.net
Notas para jornalistas
Sobre a Climate Bonds Initiative: A Climate Bonds Initiative é a principal organização internacional sem fins lucrativos dedicada à mobilização de capital global para a ação climática. Atuamos para impulsionar o crescimento do mercado de dívida verde e sustentável por meio de estruturas alinhadas à ciência — incluindo nossas taxonomias e padrões, o Esquema de Certificação, dados e insights de mercado, além de suporte técnico e de políticas públicas. Saiba mais em nosso site.
Sobre a ERM/NINT: A Environmental Resources Management (ERM) é uma das líderes globais em consultoria nas áreas de meio ambiente, saúde e segurança, riscos, questões sociais e sustentabilidade. Há quase 50 anos, a ERM apoia as principais organizações do mundo com soluções inovadoras para entender e gerenciar seus desafios de sustentabilidade. A empresa conta com mais de 5.500 profissionais em 160 escritórios em 40 países e territórios. Seus principais setores de atuação incluem petróleo e gás, mineração e metais, energia, manufatura, farmacêutica, química, tecnologia, mídia e telecomunicações.
Sobre o LAGreen Fund: O LAGreen é o primeiro fundo de títulos verdes dedicado à América Latina. Ao investir em títulos verdes e oferecer assistência técnica a novos emissores, o fundo busca gerar benefícios ambientais e sociais em toda a região e impulsionar a transição para uma economia verde. Como fundo de investimento de impacto, gerido pela Finance in Motion Asset Management e assessorado pela Santander Asset Management, o LAGreen foi criado por iniciativa do Banco de Desenvolvimento KfW da Alemanha, com capital semente da União Europeia (UE) e do Ministério Federal Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ). Saiba mais aqui e siga-nos no LinkedIn. Para mais informações sobre a Finance in Motion, visite nosso site.
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